quinta-feira, 28 de maio de 2009

Solos

Equipe: Karina Raposo, Thaís Azevedo, Evelyn Salgado, Egilberto Monteiro, Hemilys Oliveira e José Rimundo Lopes.


Foto: Karina Raposo.

Pesquisardor explica as diferenças entre os solos.
Imagem: Thaís Azevedo.










Infográfico








Foto: Karina Raposo.

















Paulo César Teixeira Pesquidor
da Embrapa, especialista em solos.





















































Meio Ambiente


Diversidades do solo Amazônico


A Amazônia é um berço de variados tipos de solo, porém, devido ao grande cultivo desordenado em suas terras, o solo está ficando sem nutrientes, para conseguir desenvolver determinados tipos de plantio.

Na região Amazônica, se tratando de agricultura, é recorrente a afirmação de que o solo é “pobre”, no entanto, o doutor em solo e plantas da Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária (Embrapa), Paulo César Teixeira, afirma que existem determinados tipos de solo para cada cultivo na região. “As pessoas confundem as diferenças de cultivos entre os tipos de solos, pois a várzea é rica de nutrientes e a terra firme é o oposto”.

Nas terras de várzea, o regime dos rios, condiciona o ribeirinho a viver de acordo com as condições climáticas. A “seca” (vazante do rio) proporciona ao caboclo a plantação temporária de culturas. O solo, nesse período do ano, é enriquecido pelo húmus (grande concentração de material orgânico em decomposição). Segundo o agricultor José Bonifácio, plantar nesta região é bom, porque proporciona possibilidades maiores de cultivo. Mas, ressalta que, o produtor desta área tem que enfrentar as adversidades e deslocamento. “Só precisa se acostumar com período que a natureza determina”.
A Terra Preta Arqueológica - também chamada de Terra Preta de Índio, é encontrada em sítios arqueológicos, onde viveram grupos pré-históricos. Devido há grande quantidade de material deixado por esses grupos indígenas como fragmentos cerâmicos, carvão e artefatos líticos (de pedra). As áreas com Terra Preta Arqueológica são encontradas sobre os mais diversos tipos de solos e normalmente se localizam em terra firme, próximas às margens de rios, em locais bem drenados. A TPA pode ser identificada por sua cor escura, resultado da concentração de substâncias orgânicas depositadas no solo que apresentam altos teores de cálcio, carbono, magnésio, manganês, fósforo e zinco, elementos que tornam a terra fértil.
Apesar da grande quantidade de sítios arqueológicos já conhecidos, não se tem um mapeamento de todas as ocorrências de TPA na Amazônia. A estimativa é que ocorram centenas de sítios espalhados pela região. Somente em Caxiuanã, foram descobertos 28 sítios arqueológicos com terra preta. Diferente das outras é riquíssimo em nutrientes e pouco ácido, podendo ter 30cm ou até 2m de profundidade. Perfeita para o cultivo da macaxeira, jerimum, mandioca, graviola, pupunha, abacate, banana, e manga.
Na terra firme, o solo é escasso de nutrientes, no entanto, a natureza é renovável. As folhas caem no chão, e juntamente com os organismos (insetos, fungos, algas e bactérias) vivos reciclam os nutrientes dispostos no ambiente, abastecendo as raízes com elementos necessários ao desenvolvimento das plantas. Além disso, o clima quente e úmido da região permite a floresta possuir uma fina camada, dividida em duas: a mais escura é fértil e possui cerca de cinco centímetros de espessura; já a amarelada, onde ficam as raízes mais profundas, não contêm a mesma quantidade de adubos naturais. Já que as altas temperaturas permanecem praticamente o ano todo e a enorme umidade relativa do ar. Por isso, o cultivo torna-se mais difícil para os agricultores.

A calagem (aplicação de calcário, carbonato de cálcio e magnésio com intuito de corrigir a elevação do ácido da terra), possibilita as raízes absorver melhor os nutrientes do solo. Essa é uma “solução” encontrada pelos agricultores para o cultivo tradicional de determinados plantios.
A queimada para grandes plantios tem causado grande impacto na natureza. A maior delas é o aquecimento global. Milhões de hectares da floresta amazônica são derrubados para utilização de diversas culturas, embora haja previsão para o término deste plantio com redução da produção no decorrer dos anos. Esse conceito da agricultura tradicional de “queima e derruba” trás ao ser humano conseqüências irreversíveis. A maioria das queimadas realizadas pelos pequenos agricultores é controlada, no entanto, a grande quantidade de focos de incêndio detectados pelo satélite que as grandes propriedades são quem destroem a floresta para implantar uma agricultora intensa pelo grande investimento de capital.
Em todos os continentes as pessoas preocupam-se com a Amazônia, visto que as questões ambientais podem provocar desequilíbrio no planeta. No Brasil, os metereologistas não conseguem monitorar o clima, no Sul – seca, no Nordeste e Norte – cheia, podendo superar a de 1953 que chegou a 29, 69m.

A Embrapa juntamente com Instituto de Desenvolvimento da Amazônia (Idam) estão trabalhando para conscientizar os agricultores dos problemas que a dependência de insumos acarreta ao solo e ao bolso do consumidor. Os produtos chegam a triplicar o valor devido esses materiais vir das regiões Sul e Sudeste do país.

As instituições cientificas comprovam que os projetos contemplam o desenvolvimento para a região, pois não degradam o solo. O doutor Paulo César lembra das práticas agroecológicas, com restos utilizados das hortas e resíduos de cinzas, em que o nitrogênio é produzido pelas plantas através do processo de fotossíntese.
Tipos de solo

Na superfície terrestre podemos encontrar diversos tipos de solo. Cada tipo possui características próprias, tais como densidade, formato, cor, consistência e formação química.
Solo argiloso: Possui consistência fina e é impermeável a água. Um dos principais tipos de solo argiloso é a terra roxa, encontrada principalmente nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Este tipo de solo é bom para a prática da agricultura, principalmente para a cultura de café.

Solo arenoso: Possui consistência granulosa como a areia. Muito presente na região nordeste do Brasil, sendo permeável à água.

Solo humoso: Presente em territórios com grande concentração de material orgânico em decomposição (húmus). É muito utilizado para a prática da agricultura, pois é extremamente fértil (rico em nutrientes para as plantas).

Solo calcário: É um tipo de solo formado por particulares de rochas. É um tipo de solo seco e esquenta muito ao receber os raios solares. Inadequado para a agricultora. Esses tipos de solo são muito comuns em regiões do deserto.














Vila Amazônia: cultura de fibra

Equipe: Evelyn, Hemilys, Karina, José Raimundo, Thaís e Egiberto.

Na década de 20, o Amazonas sofria declínio na economia. A concorrência dos asiáticos era desleal, comercializando a borracha pela metade do preço. Mas, o governador Ephigênio Salles na tentativa de estabilizar o problema, passou a oferecer terras aos japoneses em troca de mão-de-obra especializada.
A população japonesa crescia ligeiramente, embora muitos migrassem para o Peru e Estados Unidos, esses países começavam a impor regras aos estrangeiros. Uniu o útil ao agradável. No entanto, faltavam pessoas que acreditassem no projeto, pois, dois empresários japoneses desistiram por conta da distância, trabalho e investimento. E, comentando com o deputado Tsukasa Uyetsuka, acreditou que um projeto de imigração bem feito seria rentável, comprando 1,5 mil hectares onde hoje é a cidade de Parintins, a 390 km de Manaus. O local era estratégico, entre os rios Amazonas e o Paraná dos Ramos, em razão do escoamento tanto para Manaus quanto para Belém.
Originária da Índia, a juta foi escolhida para ser a base econômica da colônia. A comercialização de sacos de café e outras mercadorias, para absorver umidade e preservar seus conteúdos. Um projeto ousado no meio da Floresta Amazônica, já que os países não produziam em larga escala.
Mas, para isto acontecer, precisava de mão-de-obra qualificada. O deputado Uyetsuka, transformou uma escola de artes marciais, no Japão, na Escola Superior de Imigração (Kokushikan Koutou Takushoko Gakko). Desse nome surgiu a expressão Koutakuseis para identificar esses estudantes de 18 a 20 anos, que aprendiam técnicas de cultivo, noções de construção civil e língua portuguesa, além dos desafios na floresta.
O plano parecia perfeito. Boa localização, produto valorizado, trabalhadores qualificados. Porém, a juta não atingia o tamanho ideal para o corte (aproximadamente 4 metros). Além de colherem com o corpo submerso, mosquitos e pouca infra-estrutura da vila, com moradias simples. Até que Riota Oyama colheu mudas visosas, dando esperança para a colônia, que estavam desesperados para retornar ao Japão. Por ordem do deputado, entre 1933 e 1936, essas sementes foram plantadas e obtiveram êxito.
Com o apoio de empresas japonesas o projeto pôde continuar e conseqüentemente fundar em 1935, a Companhia Industrial Amazonense, subsidiária no Brasil da Cia. Industrial da Amazônia. E, duas tecelagens foram instaladas, a Brasiljuta e Fitejuta para suprir a demanda.
Sete turmas de koutakusei, ou 249 jovens foram enviados ao Brasil, em sete anos. A intenção era que tivesse 10 mil famílias e torna-se um pequeno Japão na Amazônia. Só que Uyetsuka não imaginava que estourasse a guerra, com a o ataque a Pearl Habour e com isso muitos imigrantes foram levados a Tomé-Açu, no Pará, como prisioneiros de guerra.
Hoje, a Vila Amazônia é apenas ruínas, colonos foram desapropriados, os bens foram vendidos em leilão como herança de guerra. Os caracteres japoneses nas lápides das pedras lembram homens com malária, febre amarela, para levar o plano da imigração no país.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Galeria de Fotos: Seringueira da Amazônia

Placa da Entrada


Eduardo, Jéssica, Madellyne, Eliana, Izabel e Marawe



Seringueira sendo cortada






Seringueira extraíndo o látex





Casa de banho





sábado, 16 de maio de 2009

Galeria de Fotos - Seringueira da Amazônia


Relógio francês - decoração

Tapiri de defumação

Ferramentas do seringueiro

Casa de banho

Armazém do seringal



Barracão de aviamento



Museu do Seringal
"Vila Paraíso"




Equipe:

Eduardo Gomes
Eliana Barbosa
Gabrilla Maués
Izabel Rocha
Jéssica Vasconcelos
Madellyne de Cássia
Marawe Mendonça

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A esperança da biotecnologia

A crise dos alimentos, iniciada há algum tempo, que teve grande repercussão ano passado, lançou novamente os alimentos transgênicos em pauta, como alternativa para um mundo cada vez mais populoso e menos capaz de atender a necessidade dos bilhões de habitantes terrestres. Grande parte do receio da população comum com relação aos alimentos transgênicos se deve ao mistério que envolve esta tecnologia.
Não é segredo para nenhum especialista da área que os transgênicos são vistos com muito medo pela população, sendo capazes de causar mal à humanidade e trazer doenças nunca dantes vistas. Mas afinal, o que são transgênicos? Segundo a engenheira florestal da Embrapa, Regina Quisen, transgênicos são todos e quaisquer organismos que tiveram sua estrutura genética modificada, para se tornarem mais resistentes e nutritivas. A engenharia genética vem estudando e investindo fortemente nesta área, pois para os especialistas, ela será a fórmula do futuro para alimentar a população crescente do mundo.

Arroz transgênico

Em 2005 no Reino Unido, cientistas desenvolveram uma nova variação de arroz geneticamente modificado. Esta espécie contém até 20 vezes mais betacaroteno (pró-vitamina que o corpo humano transforma em vitamina A) que as linhagens criadas em laboratório anteriormente.
O novo grão vem sendo estudado como uma alternativa ao combate da cegueira infantil, nos países em subdesenvolvimento. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada ano 500 mil crianças ficam cegas por falta de vitamina A, que é obtido através da absorção do betacaroteno no organismo. Há 5 anos, uma primeira linhagem de arroz dourado foi criada em laboratórios da Suíça. Na época, ela foi recebida como uma solução imediata para a cegueira infantil. No entanto, estudos posteriores revelaram que esta variação não produzia uma quantidade de betacaroteno suficiente para satisfazer as necessidades diárias de uma criança. Além disso, o preconceito e a polêmica em torno dos alimentos transgênicos ajudaram a impedir o cultivo experimental nos campos da Ásia.

A nova variedade do arroz dourado foi desenvolvida nos laboratórios da empresa de biotecnologia Syngenta. A empresa chegou a oferecer o arroz gratuitamente para centros de pesquisa em países asiáticos. Se conseguirem permissão dos governos, os laboratórios asiáticos poderão prosseguir com o plantio do novo arroz dourado.
Alguns engenheiros agrônomos e grupos de defesa do meio ambiente são contra a criação de alimentos geneticamente modificados para solucionar o problema. Eles afirmam que a melhor solução seria estabelecer uma dieta mais balanceada, com o betacaroteno vindo de fontes naturais, como legumes e frutas de cores amarelo-escuras ou verde-escuras.
O anúncio feito pelos britânicos foi a primeira evidência concreta de que a tecnologia dos alimentos geneticamente modificados pode resultar em cultivos que tenham como objetivo resolver o crescente problema da desnutrição nos países em desenvolvimento, que se agrava a cada ano. O uso dos transgênicos seria a solução imediata, enquanto a dieta balanceada certamente só poderia ser empregada em longo prazo.

Animais transgênicos


Não são apenas os alimentos que são geneticamente modificados. Em 2002, os pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo apresentaram um camundongo transgênico, para ser usado como cobaia em experiências de laboratórios. Os cientistas conseguiram, pela primeira vez no Brasil, alterar o código genético de um animal, através da técnica de a micro injeção pró-nuclear. Este método consiste em, logo após o acasalamento dos animais, os pesquisadores isolam o embrião e injetam nele o gene a ser estudado, que pode ser tanto de uma doença quanto de um gene a ser estudado.




Neste caso específico, o camundongo recebeu um gene que os cientistas apostam que protege seu coração. Depois disso, doenças cardíacas foram provocadas no animal, para saber se o animal ficou mesmo resistente. Se os resultados fossem comprovados, o gene serviria de base para a produção de remédios. O fator mais importante desta pesquisa foi que, de importador, os pesquisadores passaram a ser produtores de animais transgênicos. Mais de R$ 100 mil deixaram de ser gastos pelo governo brasileiro em importação de animais transgênicos para estudos e pesquisas científicas. Desta forma, não só o domínio da técnica, como o acesso às pesquisas ficou muito mais rápido. Em seis meses, os cientistas da Universidade Federal de São Paulo vão começar a fornecer as cobaias com gene resistente a doenças cardíacas.

Prós e contras
Quando Oswaldo Cruz, em 1904, convenceu o então presidente do Brasil, Rodrigues Alves, a decretar a vacinação obrigatória e formar os batalhões mata-mosquitos para combate de doenças como febre amarela e varíola, a população, que não estava informada sobre os benefícios da nova descoberta, não permitia que os higienistas entrassem nas casas e cortiços cariocas. Nas décadas seguintes, com mais cuidado e esclarecimentos, os governos conseguiriam implementar a vacina obrigatória.
Hoje, sabe-se que a falta de informação da população pode causar atrasos no desenvolvimento de uma nação. Se, no Brasil, não tivesse sido implantada a vacina obrigatória, não teríamos erradicado a varíola no país. O novo assusta, ainda mais quando se fala em modificações genéticas, assunto complexo e que gera muitas dúvidas. Talvez se deva aprender com a história, de um passado não tão distante, e não julgar o que não se conhece, para que o Brasil não viva um atraso científico e médico.


















Elaborado por: André Moreira, Bruce Willas, Florêncio Mesquita, Larissa Santiago, Lucas Prata e Stefanie Stefaisc.

SERINGUEIRA: DA EXPLORAÇÃO A EXTINÇÃO


Equipe: Alcicleide Almeida, Aryene de Castro, Erilane Facunda,Gibran Rezala, Izolda Pontes e
Jorge Miguel


SERINGUEIRA
Da exploração a extinção


A borracha começou a despertar o interesse mundial a partir de 1762, quando o botânico Fuset AubleyI descreveu a Havea brasiliensis e nesse mesmo ano, Fresneau, depois de haver pesquisado durante cerca de 20 anos a liquefação do produto coagulado, comunicou ao governo francês o fato de ter conseguido dissolvê-lo em terebentina.
Depois de 1845, quando a vulcanização propiciou uma maior comercialização da borracha, o volume de exportação desse produto, na Amazônia, passou a aumentar. Devido esse crescimento sua importância para a crescente indústria automobilística, seu cultivo homogêneo em larga escala foi tentado pela companhia FORD em Fordlândia (1928) e Belterra (1934), ambas no estado do Pará. Mas devido a incidência do fungo Microcyclus ulei , causador do mal da folhas, que dizimava as plantas, os empreendimentos foram abandonados .
No final dos anos 30, o Brasil se envolveu nos esforços de guerra ao lado dos aliados e assumiu a obrigação de garantir o fornecimento de borracha natural. A atividade de produção de borracha natural extrativa na Amazônia tende a desaparecer devido à competição quer seja pelos substitutivos sintéticos que seja pelos plantios racionais em áreas livres do ataque do mal -das- folhas.


SERINGUEIRA


Seringueira é uma árvore da família das Euphorbiaceae (Hevea brasiliensis) de folhas compostas, flores pequeninas e reunidas em amplas panículas, com fruto em uma grande cápsula com sementes ricas em óleo, cuja madeira é branca e leve, e de cujo látex se fabrica a borracha. Foi introduzida na Bahia por volta de 1906.
É uma árvore originária da bacia hidrográfica do Rio Amazonas, onde existia em abundância e com exclusividade, características que geraram o extrativismo e o ciclo da borracha, período da história brasileira de muita riqueza e pujança para a região amazônica, até que grandes hortos fossem plantados para fins de exploração, por ingleses, no continente africano tropical, na Malásia e no Sri Lanka. Dela podemos retirar o látex, para fazer a borracha e outras utilidades.
Em 1830 a exploração da seringueira em Manaus-AM aumentou muito, para fazer-se uma idéia, nessa época (1830) a população de Manaus era de 3.000 habitantes, com a exploração da planta, muitos imigrantes vinham para cá, assim, a população aumentou em 1880 para 50.000 habitantes, em 50 anos.
Um exemplo dessa riqueza, é o teatro de Manaus, Teatro Amazonas, que é construído com muito luxo, e suas ruas aos redores, são calçadas com borracha, para que as carruagens que passam na frente não fazerem barulho e atrapalhar o espetáculo que está à ocorrer.
Em 1906 já estava sendo exportadas mais de 80.000 toneladas de látex para todo o mundo, entretanto, nesta mesma época, um inglês chamado Henry Wickman, começou a contrabandear sementes de seringueira do Brasil, para a Malásia (situada no continente asiático), que começou a produzir mais que Manaus, o que fez com que a riqueza aqui diminuísse muito.


EXTRATIVISMO


Há sangria é a etapa mais importante da vida útil do seringal, uma vez que trata da extração do produto final. Abertura de painel deve ser feita quando cerca de 50% das plantas apresentarem circunferência igual ou superior a 45 cm a altura de 1,5 acima do solo. Atualmente há vários sistemas de exploração em uso, sendo que, na escolha, deve-se levar em consideração o clone, a fase de exploração e as condições ambientais. A fim de se obter um maior rendimento da mão-de-obra e aproveitar o potencial máximo de produção das plantas, deve-se empregar sistemas com freqüência reduzida de sangria e estimulação.


ECONOMIA


A importância econômica e industrial da borracha natural fazia da seringueira uma árvore estratégica, sendo cobiçada pelos ingleses que levaram as sementes e plantaram nas suas colônias na Ásia.
Na Ásia a seringueira foi cultivada como uma espécie comercial, diferentemente do Brasil, onde estava em seu habitat natural. Portanto, enquanto o sistema de produção brasileiro era o extrativismo, o asiático se baseava na exploração comercial. Esse foi o principal fator de sucesso da produção de borracha na Ásia. Além desse aspecto agronômico, na Ásia não existia o fungo causador do mal das folhas (Microcyclus ulei), que é uma das doenças mais comuns dos seringais - sobretudo na Amazônia.
O Brasil começou a perder credibilidade no mercado mundial, não conseguia competir com a Ásia, pois as árvores que são plantadas nos solos brasileiros sofrem com o mal das folhas.
O governo insistia na extração de borracha na região Amazônica, investindo dinheiro para substituição do sistema de produção. Mas, quase todas as tentativas de cultivo da seringueira na Amazônia fracassaram devido o fungo microcyclus.
O impacto na economia extrativista da Amazônia foi muito forte. As tensões cresceram entre produtores e seringueiros.


PRODUTO


O látex é uma secreção esbranquiçada, raramente amarelada, produzida por algumas plantas como a papoula e a seringueira quando seus caules são feridos e que tem a função de, uma vez consolidada com a oxidação, provocar a cicatrização do tecido lesado, por onde fluiu.
Largamente utilizado pela indústria para confecção de luvas e drenos cirúrgicos, é um material que pode causar processos alérgicos (dermatite de contato) de intensidade variável.
As principais características da borracha natural que a tornam uma excelente matéria-prima para setores tão variados são: elasticidade, flexibilidade, resistência à abrasão e à corrosão, impermeabilidade e fácil adesão a tecidos e ao aço.
A cadeia agroindustrial da borracha natural é composta por:
Segmento de insumos e serviços
- máquinas e equipamentos;
- assistência técnica;

segmento produtivo
- produção e extração do látex virgem;
- beneficiamento da borracha natural;

segmento consumidor
- indústria pesada (pneumáticos);
- indústria leve (artefatos);

segmento distribuidor:
- atacadistas e varejistas (de pneus e artefatos);
- recauchutagens;
- borracharias;

A indústria de artefatos, por sua vez, abrange diversos setores:-
-hospitalar/farmacêutico: catéteres, luvas cirúrgicas, tubos, preservativos, próteses, etc;
- brinquedos: balões, máscaras, bonecos;
- vestuário: tecidos emborrachados, meias, elásticos;
- calçados: solados, adesivos, etc;
- construção civil: pisos e revestimentos de borracha, placas, vedantes, etc.
- maquinário agrícola e industrial: revestimentos internos de cilindros, artigos prensados e peças em geral;
- auto-peças: câmaras de ar, batedores, coxins, guarnições, retentores, camel back (para recauchutagem), correias transportadoras, etc.


EXTINÇÃO DA ÁRVORE


O Brasil só começou a acreditar na borracha quando descobriu que poderia cultivar a seringueira fora da região amazônica, escapando do mal-das-folhas e utilizando modernas técnicas agronômicas.
Com o tempo os agricultores e pesquisadores começaram a levar a seringueira para regiões localizadas mais ao sul do país. Além disso, todas as políticas públicas, que sempre foram destinadas exclusivamente à borracha da Amazônia, passaram a contemplar, igualmente, as iniciativas de cultivo em outras regiões. Mas isso só começou a ocorrer nas décadas de 1970 e 1980.
As regiões Sudeste e Centro Oeste do Brasil têm ótimas condições de cultivo, particularmente nos estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Espírito Santo.
Nessas regiões, há mão-de-obra especializada e maior volume de capital para investimento em tecnologia. Além disso, a maioria das indústrias consumidoras está ali instalada, reduzindo os custos logísticos com o transporte da matéria-prima. O clima apresenta-se adequado para a seringueira, que perde suas folhas na estação seca, cortando o ciclo do fungo causador do mal-das-folhas e, conseqüentemente, mantendo as árvores sadias.
Apesar de todos os desafios, o cultivo da seringueira no Brasil está se estabelecendo como uma atividade lucrativa e sustentável. A produção ainda é pequena, mas cresce substancialmente a cada ano.
A indústria de beneficiamento de borracha passou por um forte período de modernização a partir de 1996, conseguindo produzir borrachas de elevado padrão de qualidade.
As perspectivas de crescimento da produção de borracha natural no Brasil são muito positivas. Espera-se que dentro de alguns anos o país possa, pelo menos, suprir as necessidades da indústria nacional.
A seringueira também ganha destaque nas discussões sobre efeito estufa e aquecimento global, uma vez que estudos mostram que a árvore pode fixar carbono e, desta forma, contribuir para a redução dos gases de efeito estufa.
Além disso, a Hevea brasiliensis é uma espécie apta à reposição florestal e sua madeira pode ser comercialmente explorada.
No Amazonas o Programa de Pesquisa da Seringueira, da Embrapa ( Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), tem avaliado o desempenho da produção de borracha natural a partir dos clones de painel utilizando as técnicas da enxertia de clones de copa resistentes. Os clones de copa foram desenvolvidos por meio da seleção e de cruzamento controlados entre outras espécies de seringueira resistentes ao mal-das-folhas, com destaque a Hevea guianensis var marginata, Hevea paucifora e Hevea rigidifolia.


PING-PONG


Em razão da alta suscetibilidade da seringueira ao fungo causador do mal das folhas, a EMBRAPA ( Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) desenvolve no território, projeto de pesquisa realizando mutações para combater o inimigo número um da Hevea brasiliensis.
O pesquisador José Roberto Fontes, concedeu uma entrevista para a revista ECOARTE falando um pouco dessa pesquisa realizada.


Ecoarte: Quais as características da borracha natural e da borracha sintética?
José Roberto Fontes: A seringueira Hevea brasiliensis é a principal espécie vegetal que produz borracha natural. Existe a produção de borracha sintética que é derivada de petróleo e a borracha natural que é produzida pela seringueira. A borracha natural tem algumas características, algumas qualidades industriais que a borracha sintética não tem, por exemplo, o pneu de aviação de altíssima resistência a pressão, a impacto, porque uns aviões desses aí, jatos comerciais pesa 90 toneladas, 50 toneladas dependem da carga que transportam. Um pneu desses quando batem no solo podem estourar então a borracha natural é um dos poucos compostos que tem essa característica de resistir à pressão. Luva cirúrgica também, preservativos, látex natural tem algumas qualidades que permitem que sejam feitas vários tipos de produtos industrializados.


Ecoarte: Qual o maior País produtor de borracha natural atualmente?
Fontes: Os maiores países de borracha natural, atualmente estão situados na Ásia. Principalmente Malásia, Indonésia e Tailândia. Na índia tem apresentado um crescimento expressivo tanto na área plantada com seringueira, quanto na parte de produção. E tantos outros países estão se dedicando ao plantio, Vietnã e China.


Ecoarte: Hoje ainda existem seringueiros?
Fontes: Segundo a Secretaria de Produção Rural do governo do estado (SEPROR- AM) tem um programa de fomento da produção e ano passado foi informado que existia cerca de 2.300 à 2.400 seringueiros assistidos por esse programa.


Ecoarte: Em sua opinião como pesquisador, o número de seringueiros está dentro de um nível padrão? Está acima ou abaixo?
Fontes: Na realidade deve existir muito mais seringueiro fazendo a extração do látex, eu não tenho essa informação para dar, porém deve haver alguma dificuldade em atender a todo. Pense em um estado desse tamanho, tem seringueiro lá no Juruá, no alto Purus, alto Solimões então muitos espalhados. Na Calha do Madeira também tem seringueiro e em direção do Pará. São informações nós não temos devido à falta de acesso.


Ecoarte: Como está a produção de seringa e a exportação atualmente?
Fontes: Hoje, o Brasil praticamente importa 2/3 do que consome. O nosso consumo atualmente esta na faixa de 340 mil toneladas de borracha natural por ano. É a gente produz em média 120 mil toneladas de borracha por ano. Ou seja, temos que importar cerca de 65% do que consome. É perda de divisa porque estamos deixando de produzir aqui e temos que gastar pagar em dólar para produzir.


Ecoarte: Existe algum projeto da Embrapa para valorizar mais a seringa?
Fontes: A Embrapa foi criada aqui em Manaus como centro nacional de pesquisa de seringueira em 1974, justamente pra concentrar pesquisadores e esforços de pesquisa para gera resultados que possibilita-se o aumento da produção e do plantio racional das seringueiras.


Ecoarte: Esse projeto esta trazendo os resultados que eram aguardados?
Fontes: A seringueira era atacada por um fungo que se chama mal das folhas essa doença provoca a queda das folhas, a planta tenta se reifolhar novamente e é atacada de novo, com isso, o fungo acaba matando a árvore com isso pensou-se então na possibilidade de fazer o cultivo empregando a técnica da enxertia de copa resistente. Que é a substituição da copa própria do clone de painel por um clone de copa que é tolerante e resistente ao mal das folhas.

A seringueira da Amazônia

Seringueira da Amazônia


Por: Eduardo Gomes
Eliana Barbosa
Gabriella Maués
Izabel Rocha
Jéssica Vasconcelos
Madellyne de Cássia
Marawe Mendonça



HEVEA BRASILIENSIS


A SERINGUEIRA DA AMAZONIA





Nome científico: Hevea brasiliensis


Família: Euforbiáceas

Nome comum: seringueira, heveacultura, seringa, sertinga verdadeira,cau-chu, árvore da borracha, seringueira-branca, seringueira-rosada.

Características Morfológicas: planta que pode chegar de 20-50 metros de altura, com tronco reto, folhas compostas trifolioladas, com folíodos membranáceos e glabros.

Origem: Brasil . A planta é originária da selva Amazônica, na margem de rios e lugares inundáveis da mata.

Madeira:
Leve, mole, de baixa durabilidade natural.


UTILIDADE




A madeira pode ser empregada para forro e caixotaria. Seu maior valor reside no látex extraído do seu tronco, que é transformado em borracha de execelente qualidade; produto largamente utilizado, com destaques nos setores automobilístico, calçadista, construção civil, plásticos, materiais hospitalares, cabos elétricos , fios de tecidos, tecidos impermeáveis e cintas.


Sua exploração representou no passado a maior atividade econômica da região, colocando o Brasil durante muito tempo como o único produtor e exportador desse produto.


INFORMAÇÕES




Os países Asiáticos, Malásia e Indonésia, começaram a dominar a exportação mundial de borracha produzida em grandes plantações e sem a ocorrência de uma doença muito comum no Brasil, o mal-das-folhas, causada por um fungo. Considerando-se que na região Amazônica, o clima favorece o desenvolvimento dessa doença, a partir de 1970, iniciaram-se plantios de seringueiras em pequenas propriedades na região Sudeste, onde o clima é bem diferente daquela.


A seringueira enxertada permite o início da sangria para a extração do látex aos 7 a 8 anos após o plantio de mudas. A sangria é feita através de incisões no tronco, mais ou menos a 1,50 metros do solo, e a cada três a sete dias o ano todo.


A produção do látex pode se estender por cerca de 50 anos. A planta se desenvolve bem e produz látex em condições de temperatura quente à amena, boa disponibilidade de água no solo durante o ano, solos profundos e com boa drenagem, mas não tolera geada forte ou regiões frias.


A propagação é feita por sementes e por enxertia. Por sementes não é recomendada para a produção de látex, porque as plantas não são uniformes, mas boas como porta-enxerto. O método por enxertia é a mais usada e interessante, porque permite a enxertia com gemas de plantas matrizes vigorosas, com alta capacidade de produção de látex e com resistência genética ao mal-das-folhas.


PRODUÇÃO E PRODUTIVIDADE




Em 1999, a Malásia e a Indonésia produziram juntos 3 milhões de toneladas, que corresponderam 90% da produção mundial. Outros países produtores são: a Tailândia, a Índia e a China.


O Brasil ainda está longe de atender as suas necessidades em borracha, mas vem aumentando a sua produção a cada ano. A produção brasileira é estimada em 90.000 toneladas e consome 250.000 toneladas de borracha natural por ano e a produtividade média de borracha seca, no estado de São Paulo, está em torno de 1.000 quilos por hectare ao ano.


As regiões Sudeste e Centro-Oeste são as que mais produzem no país, particularmente nos estados de São Paulo (maior produtor), Goias, Mato Grosso e Espirito Santo.


Do Apogeu a Decadência



O Brasil é um país cheio de riquezas naturais e de uma cultura incomparável, seu povo é formado por diversas etnias que engrandecem e fazem as pessoas se orgulharem de poder contribuir para o crescimento deste que é chamado de “pulmão do mundo”.

Ao longo de sua história o Brasil viveu momentos de esplendor e decadência sua economia passou por diversos ciclos como as Drogas do Sertão, outro ciclo que enriqueceu o país por diversos anos foi o ciclo da borracha que possibilitou à varias cidades do Amazonas como Belém e Manaus um reconhecimento diante das outras capitais pois até então por sua localização o norte do Brasil era esquecido.

O ciclo da borracha constituiu uma parte importante da história econômica e social do Brasil, estando relacionado com a extração e comercialização da borracha.

O desenvolvimento tecnológico e a Revolução Industrial, foram o estopim que fizeram da borracha natural, até então um produto exclusivo da Amazônia, um produto muito procurado e valorizado, gerando lucro imediato a quem se aventurasse neste comércio que contava com a mão de obra quase que exclusiva de nordestinos vindos principalmente do Ceará onde sofriam incansavelmente com a seca.

Desde o inicio da segunda metade do século XIX, a borracha passou a exercer forte atração sobre empreendedores visionários. A atividade extrativista do látex na Amazônia revelou-se de imediato lucrativa. A borracha natural logo conquistou um lugar de destaque nas indústrias da Europa e da América do Norte, alcançando elevado preço.

Como tudo que é feito em exagero gera conflitos e discussões assim aconteceu também com o extrativismo descontrolado da borracha, pelo fato dos trabalhadores brasileiros adentrarem mais nas florestas do território da Bolívia em busca de novas seringueiras para extrair o precioso látex, aconteceram conflitos e lutas por questões fronteiriças. O Barão do Rio Branco e o embaixador Assis Brasil, em parte financiados pelos barões da borracha, ajudaram diplomaticamente na assinatura do Tratado de Petrópolis, assinado em 17 de novembro de 1903 no governo do presidente Rodrigues Alves.


Este tratado pôs fim ao problema com a Bolívia. O Brasil recebeu a posse definitiva da região em troca de terras do Mato Grosso, do pagamento de 2 milhões de libras esterlinas e do compromisso de construir uma ferrovia que superasse o trecho encachoeirado do rio Madeira e que possibilitasse o acesso das mercadorias bolivianas, aos portos brasileiros.

A ferrovia Madeira Mamoré chegou a ser construída porém dizimou milhares de vidas de trabalhadores que por culpa das doenças como a malária acabaram perdendo suas vidas no meio do caminho, talvez a construção não tenha sido um dos melhores momentos do ciclo da borracha pois o preço do produto caiu vertiginosamente e devido o fato de que o transporte de outros produtos que poderia ser feito pela Madeira Mamoré foi deslocado para outras estradas ferro a ferrovia foi desativada parcialmente em 1930 e totalmente em 1972.

Outro problema que fez com que o apogeu da borracha acabasse foi o fato de que quando o ciclo da borracha ainda iniciava em sua fase de progressiva expansão, uma medida decisiva, que no futuro próximo aniquilaria a economia do Estado, tinha sido levada a cabo; o contrabando de sementes de seringueira para a Inglaterra daí, para suas colônias na Ásia, onde seriam cultivadas.


Em 1900, as colônias britânicas da Ásia já disputavam o mercado e em 1913 a produção asiática já superava a produção brasileira. A partir de então, a produção de seringa brasileira passou a despencar cada vez mais e por o fim do apogeu da borracha aconteceu deixando rastros na história do Brasil e principalmente na história do Amazonas.




A SEGUNDA FASE DO CICLO DA BORRACHA


A Amazônia de 1942 até 1945 voltou a viver o ciclo da borracha devido a Ásia está vivendo a Segunda Guerra Mundial. Como os japoneses dominaram militarmente o Pacifico Sul nos primeiros meses de 1942 e invadiram também a Malásia, o controle dos seringais passou a estar nas mãos dos nipônicos, o que culminou na queda de 97% da produção da borracha asiática.

O Brasil com incentivo do então presidente Getulio Vargas se propôs novamente a ser o principal produtor da borracha para isso foram necessários novamente os nordestinos que pela seca aceitaram as condições de trabalho da selva um lugar propicio a doenças e outros males para que a produção passasse de 18 mil para 45 mil toneladas, como previa o acordo feito pelo presidente com os Estados Unidos que financiava o material bélico para extração do látex em larga escala.

Para conseguir trabalhadores que viessem para tais condições foi necessário fazer um alistamento como se eles viessem para uma guerra foi prometido coisas que nunca foram cumpridas pois o caminho para muitos foi sem volta.Cerca de 30 mil seringueiros morreram abandonados na Amazônia, depois de terem exaurido suas forças. Morriam de malária, febre amarela, hepatite e atacados por animais como onças, serpentes e escorpiões. Calcula-se que conseguiram voltar ao seu local de origem a duras penas e por seus próprios meios cerca de seis mil homens.

Os finais abruptos do primeiro e do segundo ciclo da borracha demonstraram a incapacidade empresarial e falta de visão da classe dominante e dos políticos da região. O final da guerra conduziu, pela segunda vez, a perda da chance de fazer vingar esta atividade econômica.


Economia


Brasil consome cerca de 250 mil toneladas de borracha por ano


A movimentação econômica gerada pelo cultivo da seringueira é composta por inúmeros segmentos. Entre eles o produtivo, os insumos e serviços, o consumidor e o distribuidor.
O produtivo está relacionado com a produção e extração do látex virgem, ocasionando o beneficiamento da borracha natural. Já os insumos s serviços estão de certa forma ligados a fatores tecnológicos, como as maquinas e equipamentos.
O consumidor por sua vez, está ligado a dois tipos de industrias; a pesada e a leve, sendo a ultima a de maior destaque por possuir muitos setores que utilizam o produto extraído da seringueira: o látex. A industria que movimenta essa economia florestal é constituída por vários setores, como por exemplo: hospitalar, brinquedos, vestuário, calçados, construção civil, autopeças e etc.
Os produtos são os mais variados e estão presentes no cotidiano de muitas pessoas, como exemplo, temos o âmbito hospitalar, onde o material é utilizado na produção de cateteres, próteses, preservativos, luvas cirúrgicas e outros. Para as crianças tem um significado especial, pois está representado na forma de brinquedos, como bexigas, mascaras e bonecas.
O publico adulto é o que mais se beneficia dos produtos. O setor de vestuário se estende desde os tecidos emborrachados, ate meias e também elástico utilizado para a confecção de roupas.
Calçados para todos os gostos, com amortecedor ou de bico fino, a borracha está presente nos menores detalhes. As bolsas de borracha fazem o maior sucessos entre as mulheres, e agora substituem as de couro, na intenção de preservar os animais da fauna brasileira e tornar a seringueira um produto da economia florestal gerada em nosso Estado.
No setor automotivo a borracha se destaca principalmente no uso para a fabricação de câmaras de ar, batedores e retentores. Pisos, revestimentos de borracha, placas e vedantes são produtos pertencentes a construção civil, que também se utiliza dos resultados obtidos atravéz do cultivo da hevea brasilienses ( nome cientifico da seringueira).
Para o cultivo da espécie, emprega-se uma pessoa a cada quatro hectares plantados. Ao contrario de outras atividades agrícolas, pecuárias e florestais que dispõe uma vaga para cada dez hectares.
O Brasil consome cerca de 250 mil toneladas de borracha por ano e produz aproximadamente 90 mil. Os gastos com a importação do produto ultrapassaram US$ 1 bilhão entre 1992 e 2002.



Ciclo Agroindustrial da Seringueira


A seringueira é originaria da região amazônica do Brasil. A borracha dessa arvore foi descoberta em meados do século XVIII e atualmente é a principal fonte de borracha do mundo. A importância econômica e industrial da borracha fazia da seringueira uma arvore estratégica, sendo que sementes foram levadas pelos ingleses para serem plantadas em colônias na Ásia.
No Brasil, o governo insistia na extração de borracha na região amazônica, gastando muito dinheiro para subsidiar esse sistema de produção. Quase todas as tentativas de cultivo intensivo da seringueira na Amazônia fracassaram, devido a incidência do fungo microcyclus (fungo causador do mal-das-folhas da seringueira).
A esperança de o Brasil voltar a ser novamente um produtor de borracha só aconteceu quando foi descoberto que a seringueira podia ser cultivada fora da região amazônica, utilizando novas técnicas e escapando dos fungos.
O cultivo da seringueira no Brasil, apesar de todos os desafios, está se estabelecendo como uma atividade lucrativa e sustentável. A industria de beneficiamento da borracha, passou por um forte período de modernização a partir de 1996.
Outro destaque que engloba o ciclo de movimentação de cultivo da seringueira, este relacionado aos assuntos que tratam de temas sobre efeito estufa e aquecimento global, pois estudos podem confirmar que a árvore pode fixar carbono, e desta forma contribuir para a redução dos gases de efeito estufa. A seringueira é uma espécie apta a reposição florestal, podendo assim, ter sua madeira comercialmente explorada.





O Centro Nacional de Seringueira foi criado
Embrapa desenvolve projeto a partir de clones de seringueira


A Embrapa foi criada em Manaus como Centro Nacional de Pesquisas da Seringueira em 1974, justamente para concentrar pesquisadores e formas de pesquisas pra fazer gerar resultados que possibilitassem o aumento da produção e o plantio racional das seringueiras.
dentro do âmbito do Probor (Programa que incentiva a produção de borracha natural), que era coordenado pela Subev (Superintendência e Desenvolvimento da borracha que era um órgão do governo federal), então foi investido muito recurso não só de pesquisas como também de apoio, o centro de Manaus girava todo em torno da seringueira com algumas outras culturas.
A Embrapa com a tentativa de gerar a tecnologia disponível para os produtores, dentro do âmbito do programa de incentivo da produção da borracha. Os pesquisadores antes da Embrapa, desde a década de 20 e 30, já se tentavam fazer o plantio da seringueira, porém sempre houve esse problema do ataque dos fungos na planta.
Tantas as pesquisas iniciadas antes e depois da criação da Embrapa, tentou buscar os clones da planta Hevia Brasiliense, mas os resultados foram sempre desastrosos, na região Amazônica com o avanço das pesquisas chegando ao resultado que nunca era esperado, porque as plantas sempre eram atacadas pelo fungo, então a possibilidade de fazer cultivo, empregando a técnica da enxertia de copa resistente que já era uma técnica utilizada, pesquisada antes da criação da Instituição, como ela concentrou toda a atenção na pesquisa para a cultura da seringueira, as tentativas de obter o resultado com enxertia de copa começaram a tomar forma.




MUSEU SERINGAL


"Vila Paraíso"





O Museu do Seringal Vila Paraíso, localiza-se á margem esquerda do Rio Negro, Na boca do Igarapé São João, em uma área rural. Foi inaugurado em 2002 e tem o apoio do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura.


É um ponto turístico e tem como principal objetivo, conduzir os visitantes aos tempos áureos da Borracha. A visita começa através de uma ponte que da acesso a "Casa do Senhor do Seringal" ou "Seringalista".


É uma casa que mistura um pouco do rústico com o sofisticado. Conforto e elegância vindos diretamente da Europa. Lá é possível encontrar móveis e utensílios da época.


Após conhecermos a "Casa do Seringalista", o passeio continua no "Barracão de Aviamento", que era o local onde os seringueiros entregavam as pelas de borracha. O trajeto prossegue até a capela dedicada a "Nossa Senhora da Conceição" e depois até a "Casa das Mulheres": uma espécie de local onde as mulheres se banhavam.


De lá seguimos por uma trilha que nos leva até a "Árvore da Seringueira", onde é possível conhecermos o processo de coleta do látex. Esta mesma trilha nos leva até o "Tapirí de Defumação da Borracha", local onde era confeccionada as pelas.


Mais adiante nos deparamos com a "Casa do Seringueiro", o "Cemitério" e a "Casa de Farinha", onde é feita a fabricação de farinha de mandioca. Todos estes locais são bastantes interessantes porque retratam a vida e os costumes dos antigos seringais da Amazônia.




"CURIOSIDADES"




*Gel antirrugas
O látex da seringueira, do qual é feita a borracha natural, pode agora levar a um gel antirrugas, como resultado do trabalho integrado de especialistas de laboratórios de universidades e de empresas brasileiras.


O novo creme representa uma das aplicações mais recentes do látex da seringueira, um líquido esbranquiçado leitoso estudado na USP de Ribeirão Preto desde 1994. Ali, apoiados pelo químico Antonio Cesar Zborowski, de uma indústria de borracha natural da região de São José do Rio Preto, dois médicos da universidade, Joaquim Coutinho Netto e Fátima Mrue, criaram próteses de esôfago com borracha natural e as implantaram em cães.

*Durante o ciclo da borracha (1879-1912), a Amazônia foi responsável por quase 40% das exportações brasileiras. Manaus era a capital mundial da venda de diamantes, e o seu teatro, com 681 lugares, foi construído na Europa e trazido de navio para ser montado no Brasil.


Sob o calor de 40 graus, os ricaços usavam terno, gravata-borboleta e colete, imitando os ingleses. As mulheres vestiam-se com modelos parisienses.Graças à borracha, nos primeiros anos deste século a Amazônia teve uma renda per capita duas vezes superior à da região produtora de café São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.


A riqueza acabou quando ingleses levaram as mudas de seringais para a Malásia, até hoje líder mundial na produção de borracha natural. Até 1839, a borracha era um artigo que agradava mais aos curiosos do que aos empresários.


Ela derretia no calor e tornava-se quebradiça no frio. Naquele ano, um americano chamado Charles Goodyear (daí a marca do pneu) descobriu o processo de vulcanização da borracha. Isso a tornou estável, tanto no frio quanto no calor.


O comércio explodiu. Entre 1850 e o começo deste século, as exportações do produto na Amazônia aumentaram trinta vezes.



*Produto da seringueira ajuda a curar lesões no esôfago, tímpano e vasos sangüíneos



Presente em vários aspectos da vida cotidiana, o látex extraído da seringueira (Hevea brasiliensis) e base da borracha utilizada em pneus, camisinhas etc, chega agora na área médica.


Uma pesquisa pioneira realizada na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu um biomaterial à base do produto capaz de estimular o crescimento de vasos sangüíneos (angiogênese) e tecidos (neoformação), estimulando assim o processo de cicatrização de feridas.

FLORESTAS ENERGÉTICAS

A energia que vem da Floresta, sem degradação
O projeto “Florestas energéticas” visa além de reflorestar áreas degradadas, produzir energia para as olarias que abastecem o Amazonas.


O Estado do Amazonas tem apenas cerca de 2% de sua área verde total desmatada, mesmo assim a extração de madeira, uma das principais matrizes energéticas cuja demanda aumenta a degradação do meio ambiente, é um dos seus maiores problemas.
A maior parte das indústrias possui fornos abastecidos com madeira oriundas do extrativismo desordenado das florestas, onde não é aplicada nenhuma técnica de manejo ou reflorestamento, o que faz com que a floresta comercialmente explorada não seja mais capaz de sustentar a demanda exigida pelo mercado.
Porém, para reverter essa situação, foi criado um projeto piloto chamado “Florestas energéticas” da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), com apoio financeiro da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
O mercado dos produtos das Florestas Energéticas é bem variado, e de acordo a classificação do Programa Nacional de Florestas (PNF) do Ministério do Meio Ambiente, esses produtos são: chapas e compensados, óleos e resinas; fármacos; cosméticos; alimentos; carvão, lenha e energia; papel e celulose; madeira e móveis.
Mas o termo "florestas energéticas" é mais usado referindo-se ao manejo de florestas plantadas para produzir energia que não sejam oriundas de combustíveis fósseis, fornecedoras de biomassa florestal (matéria orgânica utilizada na produção de energia), com o objetivo de repor os volumes de madeira explorados, além de produzir lenha e carvão para uso das indústrias, evitando o desmatamento das florestas naturais.
O projeto “Florestas energéticas” da EMBRAPA tem como finalidade reflorestar áreas que estão em processo de degradação, para recuperar florestas nativas que anteriormente foram usadas para a produção de energia em olarias, tais como nos municípios de Iranduba (à 25 km de distância de Manaus) e Manacapuru (à 84 km) cuja produção de tijolos e telhas abastece não somente Manaus como todo o Amazonas e que, por isso, são os dois municípios com os maiores índices de desmatamento no estado, onde 20% é referente a Iranduba e 10% a Manacapuru.
Esse projeto começou a ser estudado e desenvolvido em 1995, dividido em três fases, como explica o engenheiro florestal e doutor em silvicultura Roberval Lima: “Primeiramente fizemos uma pesquisa junto com as empresas que usam este produto - lenha, carvão - identificando quais espécies elas estavam usando da floresta nativa e montamos uma lista de espécies. Então já com esta lista, fomos para a segunda fase do nosso trabalho que seria a obtenção das sementes, em que selecionamos as áreas onde se encontram estas espécies e começamos a fazer um acompanhamento delas para obtermos sementes de qualidade. A partir da identificação das áreas de ocorrência dessas espécies, fazemos a coleta das sementes e passamos a produzir as mudas para instalação do experimento. Esse experimento apresenta uma metodologia na qual nós estabelecemos um plantio, com todas as espécies que nós identificamos para daí fazermos uma analise das principais espécies que tem melhor crescimento e que melhor se adaptam ao clima e ao solo que estamos testando. Nessa primeira fase, nós começamos trabalhando com cerca de 60 espécies. Depois entramos no período de testes, com três anos de duração aproximadamente, que equivale a 10% da rotação desta cultura que gira em torno de trinta anos, em que se coloca o máximo de espécies no menor espaçamento de área possível. É o que chamamos da fase do arvoredo.
Colocamos dez plantas por linha de cada espécie e então testamos as que seriam potenciais. As potenciais são as espécies que sobrevivem em altas porcentagens. Outro critério é o crescimento alto, acima de dois metros de altura e meio centímetro de diâmetro por ano. Levamos em consideração a qualidade da madeira, se está apta para a produção de energia. As que crescem mais rápido e tem alto poder calórico, a gente trabalha para a produção de madeira de uso energético – lenha, carvão, etc. Depois foram selecionadas 12 dessas 60 espécies para serem profundamente trabalhadas para a produção de madeira para energia. Dentre estas 12, temos a Ingá e o Sclerolobium paniculatum (taxi-branco; jacarandá canzil) e também testamos espécies exóticas, que são utilizadas em outros países, mas que tem bom crescimento, como a Acacia mangium (acácia-australiana) originária da Austrália, Acacia auriculiformis, Guimerina Arbórea e Bambusa vulgaris var. vitatta (bambu), além do eucalipto, que já é muito usado no Sul e Sudeste do país, e estamos trabalhando para ver se conseguimos um clone, uma variedade que se adapte melhor ao nosso solo e ao nosso clima. A segunda fase do processo chama-se eliminação de espécies. Essa fase dura em torno de um quinto da rotação da espécie, ou seja, cinco anos. Até sete anos, mais ou menos, nós fazemos nossas observações, só que numa área maior, não mais em uma linha com dez plantas, para termos um dado cientificamente mais apurado.

A terceira fase é a implantação de projetos pilotos, junto aos produtores. Aí já são áreas maiores que um hectare, dois hectares de terra ou até mesmo cinco hectares, uma área produtiva para nós estudarmos. Já faz uns dois anos que estamos trabalhando nessa terceira fase com os empresários das olarias do pólo cerâmico-oleiro de Iranduba e Manacapuru.”
Quanto à parceria estabelecida junto à Fapeam, Roberval conta: “a fundação entrou com um recurso médio de cem mil reais, onde montamos os módulos produtivos, já junto aos empresários, para que eles testassem essas espécies na sua produção de tijolos e telhas, como lenha em seus fornos. Ao mesmo tempo, este projeto já serve como um plano demonstrativo para os outros empresários, e tem surtido um bom efeito, a partir do momento que eles vêem a floresta em pé e produzindo madeira de modo sustentável, além de a mão-de-obra ser barata. Hoje, realmente, existe uma procura altíssima para a produção de madeira sustentável. Até porque as normas ambientais não permitem mais que esse consumo seja feito de modo destrutivo, sem a reposição das espécies.”
O engenheiro assegurou que ainda não identificaram nenhuma praga ou doença, que já começaram estudos para melhoramento genético das espécies e que continuam fazendo testes de espaçamento. “Mas a questão principal do uso dessa tecnologia é mesmo a de atendimentos as normas ambientais. As florestas energéticas só podem ser implantadas em áreas que já foram desmatadas. Você não pode, legalmente, desmatar uma mata, para implantar esse tipo de projeto. Nas florestas energéticas, consideramos que após dois anos do plantio, você já tem material para utilizar. Mas quando começamos a pensar em sustentabilidade, em um plantio numa mesma área, num mesmo solo, de dois em dois anos, você extraindo, colhendo, então com o tempo temos que pensar na reposição dos nutrientes deste solo.”, esclarece.
Essa sustentabilidade também uma das principais preocupações do pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Philip Martin Fearnside: “O manejo florestal também pode produzir biomassa para energia, mas requer cuidados especiais para assegurar a sustentabilidade e para limitar os impactos ambientais. Quando a floresta tropical é manejada para a produção de carvão vegetal, as árvores pequenas são as preferidas, diferentemente do manejo para a madeira de lei, onde as grandes árvores são as mais valiosas. A preferência por árvores pequenas significa que a sustentabilidade de produção em longo prazo pode ser prejudicada, se estas classes de idade forem eliminadas. Também aumenta a tentação para simplesmente explorar toda a área, pois a mesma floresta pode atender aos mercados de carvão vegetal e de madeira de lei.” (http://www.revistaopinioes.com.br/cp/materia.php?id=231)
Já é possível pensar numa expansão do projeto, pois estão sendo feitas reuniões tanto com órgãos ambientais como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), além de outras instituições, para a elaboração de um grande projeto pró-região, para atender essa demanda. “Nós temos um projeto que se chama “florestas energéticas na matriz agro-energética brasileira”, em que contamos com a participação da EMBRAPA florestas do Paraná, a EMBRAPA agro biologia, a EMBRAPA Rio de Janeiro, a EMBRAPA Amazonas e todas as outras EMBRAPAS da região norte participando.”, explica Roberval.
Contudo, apesar do assunto parecer recente, já é visto como uma boa saída para o reflorestamento e fornecimento de energia. Tanto que, com a proposta de discutir e difundir a idéia de plantio de florestas para fins energéticos acontece de dois a cinco de junho deste ano, o primeiro Congresso Brasileiro sobre Florestas Energéticas, em Belo Horizonte, Minas Gerais. O evento é promovido pela Embrapa Amazônia Ocidental e o Governo de Minas Gerais, com a previsão de receber mais de 1500 participantes. (http://www.florestasenergeticas.com.br)


Roberval Lima, doutor em silvicultura e engenheiro florestal
Por: Clarissa Bacellar, Daniele Prestes, Dário Monteiro, Eliete Guedes, Filipe Augusto, Rômulo Araújo e Wallace Abreu.

Entrevista Wenceslau Geraldes Teixeira


Criação de base petrolífera em área do município de Coari gera danos ao solo

O pesquisador doutor, Wenceslau Geraldes Teixeira, graduado em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Viçosa (1989), possui mestrado em Agronomia (Solos e Nutrição de Plantas) pela Universidade Federal de Lavras (1992) e doutorado em Geoecologia (Dr. rer. nat.) pela Universidade de Bayreuth - Alemanha (2001). Desde 1995 é pesquisador da Embrapa lotado no Centro de Pesquisa Agro florestal da Amazônia Ocidental, em Manaus - Amazonas. Participa como professor associado da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) no curso de pós-graduação em Agronomia Tropical e do curso de pós-graduação em Agricultura do Trópico Úmido com o Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA). Ultimamente tem trabalhado na área de Agronomia, com ênfase em Física, Manejo e Conservação do Solo e da Água, atuando principalmente nos seguintes temas: indicadores da qualidade física de solos de áreas degradadas; métodos de avaliação das propriedades e características físico-hídricas de solos tropicais; modelagem de fluxos de água no solo; gênese das Terras Preta de Índio e uso de carvão vegetal como condicionador do solo. Com base em sua atuação na base petrolífera de Urucu - Coari, Amazonas, onde desenvolve um estudo de recuperação do solo daquela área, devido ao desmatamento causado dada a instalação da base, o pesquisador doutor, recebeu a revista Conhecimento em Foco, para a entrevista especial desta semana.

Qual a intensidade do impacto ambiental na área onde foi construída a base petrolífera de Urucu e suas conseqüências?

“O impacto ambiental da exploração de gás e petróleo é concentrado na área da
base de operações Geólogo Pedro de Moura (bogpm) e algumas clareiras de
poços exploratórios. Em comparação com os benefícios desta exploração ao
país é bastante reduzido, também quando se compara com os impactos causados
por outras atividades de mineração e mesmo da agricultura.”


Explique e defina a classe de solo predominante na região da base petrolífera?

“A formação geológica que está na superfície da base de operações
é chamada de formação Solimões, sendo geologicamente falando, alguns milhões de anos mais nova que a formação que estamos aqui em Manaus. Esta diferença de idade e também do material que forma estas bacias sedimentares levou ao desenvolvimento de diferentes solos. Na bogpm,
predomina os solos das classes dos cambissolos e dos argissolos. Já em Manaus na área de terra firme predomina-se os latossolos argilossos. A classe de solo é uma classificação utilizada para agrupar solos que apresentam uma mesma característica no sistema brasileiro de classificação de solos, há 14 classes.”


Quais os fatores imprescindíveis para o monitoramento e entendimento dos processos que ocorrem no solo, dentro de um processo de formação de um horizonte artificial e do sucesso de revegetaçao?

“Há vários fatores imprescindíveis na formação do solo. O processo
pedogenético de formação dos horizontes é uma combinação de processos
físico, químicos e biológicos. Existe a criação de fraturas, trincas pelo
aquecimento e esfriamento, pela chuva e principalmente pela atividade
biológica - movimentação de minhocas, cupins, formigas e crescimento de
raízes. Todo este complexo vai criando um ambiente favorável ao
estabelecimento de plantas e de outros animais, que numa intricada cadeia
garante o sucesso da revegetação. O entendimento de processos complexos como
este, só é possível por equipes trans-disciplinares e utilizando ferramentas
de análises sistêmica”.


A que ponto os teores de carbono orgânico na superfície determinam a cor do solo no processo de recuperação?

“As cores com tons amarronzados e mesmo pretos na superfície do solo, são devidos a frações escuras da matéria orgânica. A matéria orgânica é fonte de carbono para as atividades de diversos grupos de organismos e nos solos tropicas é ela que tem cargas para reter os nutrientes minerais para as plantas. O aumento dos teores de matéria orgânica é fator crucial para o processo de revegetação - seu monitoramento pode ser feito através das mudanças das cores do solo.”


Quais as principais dificuldades encontradas no decorrer da pesquisa, sobre parâmetros físicos e hídricos para monitoramento da recuperação de uma área degradada pela retirada dos horizontes superficiais do solo locada na base petrolífera do Urucu - AM?

“A dificuldade de monitorar processos físico e hídricos no solo é que são
atividades dinâmicas. Os valores da umidade do solo alteram-se a cada chuva,
as propriedades físicas como a porosidade se altera com os crescimento das
raízes, atividade de macro e micro fauna do solo e pela compactação causada
pelo homem. Pode-se dizer que a maior dificuldade são os custos de equipamentos, dado que estas propriedades precisam ser monitoradas no local. A interpretação
sistêmica dos dados a gerar informações que possibilitem o entendimento do
processo da restauração ambiental e também um desafio pela complexidade das
interações entre diversas áreas da ciência (botânica, agricultura,
biológica, meteorologia). O projeto Ctpetro - amazonas tem equipes
multidisciplinares e tem feitos grandes avanços nos entendimentos dos
processos, e forma de intervenção para acelerar a restauração.”




Equipe: Conhecimento em Foco
Integrantes: José Américo Viana, Samuel Magalhães, Taniamara Freitas e Tuanny Lima.
Turma CJN05S1.

Curiosidades

  • O solo amazônico é bastante pobre, contendo apenas uma fina camada de nutrientes. Apesar disso, a flora e fauna mantêm-se, em virtude do estado de equilíbrio (clímax) atingido pelo ecossistema. O aproveitamento de recursos é ótimo, havendo mínimo de perdas.
  • O ecossistema da Amazônia chamado Várzea são áreas periodicamente inundadas pelas águas brancas ou turvas de rios, como o Solimões, o Amazonas ou o Madeira. Estes rios percorrem terras ricas em minerais e suspensões orgânicas. A fertilidade destas águas brancas e dos solos aluvionares trazidos pelas mesmas, faz com que a flora e a fauna desta parte da Amazônia seja uma das mais ricas e produtivas.
  • A grande diversidade geológica da Amazônia, aliada ao relevo diferenciado, resultou na formação das mais variadas classes de solo, sob a influência das grandes temperaturas e precipitações, características do clima equatorial quente superúmido e úmido. Contudo, a fertilidade natural dos solos é baixa, em contraste com a exuberância das florestas ombrófilas (úmidas) que nelas se desenvolvem.
  • As queimadas trazem consigo diversos problemas para o solo com não permitir que a chuva entre no solo. Sendo assim, deixando de abastecer os lençóis subterrâneos de água, responsáveis pela alimentação de nascentes, rios, cisternas e poços. Além de favorecer os ataques de pragas e doenças, que causam muitos problemas às plantações.





Equipe: Conhecimento em Foco
Integrantes: José Américo Viana, Samuel Magalhães, Taniamara Freitas e Tuanny Lima.
Turma CJN05S1.

Especial - Desmatamento e queimada prejudicam a agropecuária na Amazônia

O desaparecimento de florestas tropicais, acompanhado de acelerados processos de perda de solo e de matéria orgânica tem crescido devido o avanço de desmatamento e queimadas.


O desmatamento e as queimadas na Amazônia não são ameaças só ao clima do planeta, o uso do fogo está alterando o ciclo de nutrientes no solo da floresta, com impactos negativos tanto para o crescimento da mata quanto para a agropecuária. Devido ciclos repetidos de queimadas, a quantidade de fósforo e nitrogênio no solo diminui, visto que, ambos os elementos são fundamentais para as plantas. O fogo é extensivamente usado para limpar áreas nas quais a floresta foi derrubada, ele diminui a fertilidade dos solos fazendo com que as florestas que brotam em lugares queimados repetidas vezes, cresçam mais devagar.
De acordo com o pesquisador e doutor na área de solos e plantas, Paulo Cezar Teixeira, isso ocorre devido à agricultura tradicional da Amazônia ser derruba e queimada. “Quando o agricultor queima, alguns nutrientes são perdidos na atmosfera e viram gás sem utilidade, já no processo natural de decomposição da matéria orgânica, digamos assim, serviriam de decompostos e seriam absorvidas pelas raízes das plantas servindo de alimento as mesmas”, afirma o doutor.
Uma das culturas agrícolas mais tradicionais no estado do Amazonas é o de plantar macaxeira e mandioca, após a queima. A mandioca é uma cultura que não cobre muito o solo, fazendo assim com que ele fique exposto, como a nossa região recebe todos os anos uma grande quantidade de chuvas, muitas vezes elas acabam lavando os solos fazendo com que os mesmos percam parte dos nutrientes deixados ali em forma de cinzas.
A queima ocorre superficialmente, visto que, o solo permanece com uma camada de matéria orgânica, até mais ou menos 5 cm de profundidade. Devido a isso, o agricultor planta no primeiro ano e produz bem na terra firme, conforme o tempo passa sua produção diminui, pois no primeiro ano as culturas se beneficiam da queima, só que ao decorrer dos anos isso acaba, fazendo com que o agricultor produza pouco e abandone a terra.
Quando ele abandona o plantio acontece à capoeira, terreno onde o mato foi roçado e/ou queimado para cultivo da terra, pois ela é adaptada aquele solo. Então a capoeira vai crescendo lentamente fazendo com que o ciclo volte deixando suas folhas caírem e formando um pouco mais de matéria orgânica, vale ressaltar, que aquele solo nunca mais será o mesmo, poderá sim produzir novamente, mas não com a mesma capacidade de produção inicial.
O que pode ser feito para que esse solo possa produzir ao longo dos anos segundo Paulo Cezar é o manejo do mesmo. ”A falta de conhecimento técnico e renda da parte do agricultor acaba fazendo com que ele empobreça o solo, falando em relação à terra firme, pois para que ele maneje melhor o mesmo seria necessário um aporte de tecnologia de insumo de calcário, de adubo que são muito caros”, diz Cezar acrescentando que fazer agricultura no Amazonas não é impossível e sim difícil devido à renda e os gastos.




O fogo queima vidas. Evite as queimadas

Recomendações para plantar sem queimar:

Ø As queimadas ressecam o solo e acabam provocando o surgimento da erosão, que enche de terra os rios e os lagos. O resultado é que muitos cursos d'água chegam a desaparecer. As queimadas provocam a destruição da cobertura vegetal, que amortece a força da chuva através das árvores. Devido a isso, a água carrega a terra fértil para os rios e abre buracos no solo.

Ø As queimadas provocam perda de produtividade do solo. Ano a ano, as lavouras passam a produzir menos e as pastagens ficam mais fracas. Quando se queima para plantar, a primeira safra é boa. A partir da segunda, os problemas começam a aparecer.

Ø As queimadas provocam maiores despesas para o produtor, já que acaba com a composição do solo. Queimando, o solo passa a exigir grande quantidade de adubo.

Ø As queimadas não permitem que a chuva entre no solo. Com isso, deixa de abastecer os lençóis subterrâneos de água, responsáveis pela alimentação de nascentes, rios, cisternas e poços.

Ø As queimadas favorecem os ataques de pragas e doenças que causam muitos problemas às plantações.

Ø As queimadas acabam com os insetos, as aves e os pequenos animais que fazem parte do ciclo da natureza. A temperatura do solo queimado chega até 650 graus centígrados. Não há vida que resista.

Para plantar, sem queimar, é fácil, basta seguir algumas regras:

Ø Verificar se o solo é apropriado.

Ø Depois, roçar os arbustos e derrubar as árvores pequenas e médias, preservando as árvores maiores. A seguir, picar as árvores derrubadas.

Ø Aproveitar a madeira picada, para fazer construções diversas, como casa, cerca paiol, etc. Com esses cuidados, a terra está pronta para plantar, com muito maior produtividade, por 20 anos ou mais.

Ø Principais recomendações para a realização de queimadas:

Ø Construir aceiro em torno da área a ser queimada, que deve ter, no mínimo, 03 (três) metros de largura (essa largura deve ser duplicada nos casos de áreas florestais, de vegetação natural, de preservação permanente e das protegidas pelo Poder Público).

Ø Providenciar pessoal treinado, com equipamentos apropriados, para atuar no local da queima, evitando que o fogo passe dos limites estabelecidos. E avisar aos vizinhos a data e a hora de realização da queima.

Este boxe foi elabora com base no Departamento de Estradas de Rodagem
do Estado de Minas Gerais (DER-MG).





Equipe: Conhecimento em Foco
Integrantes: José Américo Viana, Samuel Magalhães, Taniamara Freitas e Tuanny Lima.
Turma CJN05S1.